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luzemjulho

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Alma

Teatro Nacional São João

 

  .

 

 "A thing of beauty is a joy forever". Foi com este verso de John Keats – "Uma coisa bela é uma alegria que dura para sempre" – que o tradutor inglês do "Auto da Alma", Aubrey Bell, descreveu há quase cem anos aquele que é considerado o cume do drama litúrgico português e uma das mais perfeitas realizações da arte medieval», assinala o TNSJ.

«Um auto escrito entre a composição da "Barca do Inferno" e da "Barca do Purgatório", que ao contrário destas não situa a ação no território "post mortem", mas recria a ancestral metáfora da vida como peregrinação – um caminho de provação, mudança, descoberta. Com os seus diabos, anjos, doutores da Igreja e uma "Alma caminheira" que é, a um tempo, alegoria de todas as almas e expressão dramática de um caráter individual, "Alma" questiona, com rara força interpeladora, a natureza humana, a sua liberdade e o seu destino último, a sua inscrição no tempo e a sua demanda de eternidade. Uma obra imensamente divina, logo, profundamente humana, daquele que Teixeira de Pascoaes chamou "o mais Anjo e o mais Demónio de todos os poetas portugueses".»